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segunda-feira, 31 de maio de 2010

QUALIDADE NA SELEÇÃO

O processo de seleção é considerado pelas organizações como um evento empresarial estratégico e vital. O profissional de recursos humanos dá grande contribuição para as organizações quando o assunto é selecionar novos colaboradores. Uma má seleção pode acarretar grandes prejuízos, alta rotatividade, clima organizacional ruim e afetar a saúde da empresa.



Existem falhas clássicas em um processo seletivo, independente do tipo de profissional e área de atuação do selecionado. Não entender o negócio da empresa, não levantar e mensurar as competências dos candidatos, e desconhecer o motivo da vaga são algumas delas. “O sucesso na escolha deve considerar as competências profissionais e pessoais do escolhido de acordo com a demanda da área específica”, indica Luciana Amaro, gerente de RH da BASF. Segundo ela, não há regra fixa e cada caso deverá ser analisado criteriosamente. “O cuidado é fundamental, já que muitas vezes podemos ‘cair na armadilha’ de investirmos muito tempo na avaliação da parte técnica e não o suficiente na comportamental, que são aspectos mais difíceis de serem identificados durante o processo seletivo”, completa.

Os RHs das corporações perceberam que por mais que um profissional seja qualificado tecnicamente, a empresa necessita que ele tenha comportamentos e atitudes adequados a cultura, missão, visão e objetivos da corporação. Cintia Menegazzo, consultora de desenvolvimento organizacional e coach, afirma que a etapa inicial, em que o selecionador não ouve o requisitante da vaga, é o principal erro que existe em um processo seletivo, já que existem muitos profissionais no mercado e o selecionador precisa encontrar o que case com os valores e a estratégia da empresa contratante. “Os processos de seleção sempre são ‘para ontem’, então normalmente recruta-se e seleciona-se mal”, aponta.

Hoje, o profissional de recursos humanos é obrigado a interagir com o solicitante da vaga para entender a complexidade da mesma e ter condições de assessorá-lo corretamente. “No entendimento do solicitante, é entender perfeitamente o que o requisitante da vaga deseja, ou seja, entender o negócio dele e o motivo pelo qual ele quer aquela vaga”, diz Cintia. De acordo com a consultora, a origem de uma seleção ruim está na má formação e prepotência de quem seleciona, de não ter a humildade de entender o negócio. “Acho que a posição do selecionador é muito confortável e pode ocorrer displicência, pois nós quem estamos elegendo”, observa.



A seleção por competências tem a finalidade de compor no quadro de colaboradores, pessoas capazes de desempenhar determinada atividade com eficácia, em qualquer situação. Ela tem como vantagem um processo mais objetivo e sistemático, maior garantia de adequação do profissional à empresa, e assegura uma rotatividade baixa de colaboradores, o que diminui gastos. Muitas das competências buscadas são: influência, desenvolvimento de pessoas, autoconfiança, habilidade para gerenciar mudanças, liderança de pessoas e perseverança. Cintia aponta: “se a seleção não é realizada por competências, ela torna-se subjetiva”.

Competência é o conjunto de características pessoais expressadas mediante o comportamento e conduta que produzem um desempenho em um cargo, em uma organização. “Por este motivo se faz importante esta análise e para que isto ocorra, a equipe de seleção deverá conhecer muito bem as competências da organização e quais são exigidas para o cargo em aberto”, diz Luciana Amaro.

Pode ocorrer também de, em um processo seletivo, o profissional se mostrar a pessoa ideal para a vaga, mas no decorrer do desenvolvimento de suas atividades rotineiras, se revelar um colaborador fora das expectativas da organização. “Já recrutei uma pessoa, por exemplo, que nos testes mostrava ter um excelente equilíbrio emocional (tranquilidade, paciência e tolerância). Ela era do setor industrial, e quando foi submetida a uma cultura empresarial de serviços, cujo ritmo e o contexto são diferentes, a pessoa surtou”, aponta Cintia Menegazzo. Segundo a consultora, em uma avaliação mais técnica e por competências, é mais difícil cometer esse tipo de falha.


Profissionais envolvidos

A maior contribuição que um profissional de recursos humanos pode dar a sua organização é selecionar corretamente um novo colaborador. Do contrário, isto pode acarretar um desgaste e um prejuízo incalculáveis à organização, bem como desperdícios inimagináveis. “A garantia de 100% de acerto em seleção não existe. Para maior garantia no sucesso do admitido, julgo necessário o envolvimento da área requisitante em parceira com RH”, sugere Luciana.

Para posições de liderança, a participação de gerentes ou diretores torna-se imprescindível na fase final do processo seletivo. “Cada envolvido na seleção tem um olhar diferente para o candidato e para as necessidades da empresa e a soma das impressões e percepções, trazem a assertividade na decisão para a aprovação ou não do profissional adequado para o cargo em aberto”, finaliza a gerente de RH da Basf.

Editado por: Caio Lauer

DINÂMICA DE GRUPO: como se destacar em um processo seletivo

Dinâmica de grupo é a etapa do processo seletivo em que se avalia o perfil do profissional por meio de atividades e jogos que simulam situações previamente elaboradas, quer no âmbito pessoal ou profissional. A resposta de cada candidato diante de uma mesma situação é que irá ou não atender as exigências da vaga, de acordo com o perfil e personalidade esperados.

O papel da dinâmica é criar um ambiente que induza o candidato a agir com a maior naturalidade possível, sem aqueles exageros, formalidades e textos prontos, tão comuns nas entrevistas. Como as atividades são realizadas em grupo, a tendência é que as pessoas se revelem com maior facilidade em suas características mais importantes – ou, pelo menos, nas de interesse direto do processo seletivo em que estão participando.


Para Fernanda Antonelli, consultora de RH da CNS calçados, além de acelerar o processo, as dinâmicas são realmente importantes para avaliar algumas habilidades que não são tão explícitas em outras formas de entrevista. “Primeiramente, é preciso entender que a dinâmica de grupo é uma atividade presencial das mais eficazes nos processos seletivos, pois reproduz, por meio de um cenário controlado, processos semelhantes aos existentes nas organizações”, explica. “Muitas empresas utilizam esse processo para analisar comportamentos esperados para determinado cargo. O objetivo é identificar a presença do conjunto de habilidades, conhecimentos e competências que se apresentam de formas diferentes em cada pessoa”.

Não há como se preparar para uma dinâmica de grupo, no entanto, investir no visual e seguir algumas regras de pontualidade, por exemplo, é sempre indicado. A partir daí, tudo varia de acordo com o cargo, a área e o perfil necessário para determinada função. Caso a empresa esteja com o foco em um profissional de vendas, por exemplo, o candidato deve ser mais carismático e comunicativo, no entanto, para o cargo de um gestor, pode preferir alguém mais reservado e com uma imagem que aparente mais seriedade.

“Tudo depende do cargo em questão, pois cada vaga busca determinadas competências”, complementa Fernanda. “Os selecionadores esperam que os candidatos consigam aproveitar todas as oportunidades para demonstrar suas competências, já que após a dinâmica de grupo será necessário selecionar os que estão melhores preparados para a vaga. O candidato deve saber que tudo o que for feito será analisado, portanto deve deixar de lado suas preocupações e bloqueios e se concentrar na vaga que pretende ocupar”.



Participativo ou Observador?

Na dinâmica de grupo, o mais adequado é ser participativo e se envolver nas atividades, pois é preciso aproveitar a chance oferecida para demonstrar o que pensa e como desenvolve seu trabalho. Segundo Fernanda, é necessário que o candidato entenda que ser participativo e passar por cima das opiniões dos outros são características distintas. Saber se comunicar não é se expor falando o tempo todo, mas sim aproveitar os momentos oportunos sendo crítico e agregando idéias.

Apesar de fazer parte de um grupo onde todos são concorrentes, é preciso ter equilíbrio e bom senso para identificar o momento de competir e de trabalhar em equipe. A habilidade ________________________________________

Maiara Tortorette

Dinâmica de grupo é a etapa do processo seletivo em que se avalia o perfil do profissional por meio de atividades e jogos que simulam situações previamente elaboradas, quer no âmbito pessoal ou profissional. A resposta de cada candidato diante de uma mesma situação é que irá ou não atender as exigências da vaga, de acordo com o perfil e personalidade esperados.

O papel da dinâmica é criar um ambiente que induza o candidato a agir com a maior naturalidade possível, sem aqueles exageros, formalidades e textos prontos, tão comuns nas entrevistas. Como as atividades são realizadas em grupo, a tendência é que as pessoas se revelem com maior facilidade em suas características mais importantes – ou, pelo menos, nas de interesse direto do processo seletivo em que estão participando.

Para Fernanda Antonelli, consultora de RH da CNS calçados, além de acelerar o processo, as dinâmicas são realmente importantes para avaliar algumas habilidades que não são tão explícitas em outras formas de entrevista. “Primeiramente, é preciso entender que a dinâmica de grupo é uma atividade presencial das mais eficazes nos processos seletivos, pois reproduz, por meio de um cenário controlado, processos semelhantes aos existentes nas organizações”, explica. “Muitas empresas utilizam esse processo para analisar comportamentos esperados para determinado cargo. O objetivo é identificar a presença do conjunto de habilidades, conhecimentos e competências que se apresentam de formas diferentes em cada pessoa”.

Não há como se preparar para uma dinâmica de grupo, no entanto, investir no visual e seguir algumas regras de pontualidade, por exemplo, é sempre indicado. A partir daí, tudo varia de acordo com o cargo, a área e o perfil necessário para determinada função. Caso a empresa esteja com o foco em um profissional de vendas, por exemplo, o candidato deve ser mais carismático e comunicativo, no entanto, para o cargo de um gestor, pode preferir alguém mais reservado e com uma imagem que aparente mais seriedade.

“Tudo depende do cargo em questão, pois cada vaga busca determinadas competências”, complementa Fernanda. “Os selecionadores esperam que os candidatos consigam aproveitar todas as oportunidades para demonstrar suas competências, já que após a dinâmica de grupo será necessário selecionar os que estão melhores preparados para a vaga. O candidato deve saber que tudo o que for feito será analisado, portanto deve deixar de lado suas preocupações e bloqueios e se concentrar na vaga que pretende ocupar”.

Participativo ou Observador?

Na dinâmica de grupo, o mais adequado é ser participativo e se envolver nas atividades, pois é preciso aproveitar a chance oferecida para demonstrar o que pensa e como desenvolve seu trabalho. Segundo Fernanda, é necessário que o candidato entenda que ser participativo e passar por cima das opiniões dos outros são características distintas. Saber se comunicar não é se expor falando o tempo todo, mas sim aproveitar os momentos oportunos sendo crítico e agregando idéias.

Apesar de fazer parte de um grupo onde todos são concorrentes, é preciso ter equilíbrio e bom senso para identificar o momento de competir e de trabalhar em equipe. A habilidade de comportamento em grupo também pode ser avaliada, e nesse caso, se o candidato não dá oportunidade para os demais e se preocupa apenas em se sobressair, poderá ser visto de forma negativa. “Muitas vezes os candidatos forçam uma aparência e querem participar o tempo todo, não dando espaço para os outros. Não interromper o outro e saber ouvir são essenciais nesse processo”, exemplifica Cristiane Bulsoni, consultora de RH da companhia de seguros Aliança do Brasil.

Definitivamente, querer impor ideias não é vantajoso, mas agir com profissionalismo e naturalidade são pontos a favor do candidato. “Uma dinâmica de grupo bem conduzida diz muito a respeito de cada um dos participantes; é uma etapa importante e que define sim, quem irá para a etapa de entrevistas, por isso, é importante que o candidato entenda a proposta e leve a sério sua participação, agindo naturalmente e interagindo com os outros participantes”, finaliza.

Editado por: Maiara Tortorette